- 27 de nov. de 2020
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Estamos na reta final do ano e consequentemente os períodos sazonais
de varejo já estão se mostrando por aí. Em 2020 a Black Friday, comemora 10
anos de atuação no varejo brasileiro. A Black Friday, ou melhor, Best Friday,
como tem sido defendido por grandes varejistas, e Natal são épocas do ano
que o fluxo de vendas aumenta significativamente o consumo.
No entanto, ainda estamos vivendo a pandemia e entre reflexos da
pandemia observamos a alteração dos hábitos de consumo, uma crescente
onda de empresas fechadas, aceleração digital e um grande fluxo de novos
consumidores via on-line nessa grande vitrine que são as plataformas digitais.
De acordo com o Google mais de 1/3 dos consumidores tem nos canais
digitais como principal fonte de compra. A pandemia acabou por mitigar o medo
dos e-consumers (e-consumidores) que passaram a comprar pela internet.
Ainda de acordo com os dados do Google 44% preferem ainda não comprar
por conta da pandemia em lojas físicas enquanto 56% preferem realizar
pesquisas na internet.
Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) em
parceria com o Movimento Compre&Confie, o comércio eletrônico brasileiro
alcançou um faturamento de R$ 41,92 bilhões em agosto de acordo com o
apurado de janeiro a agosto de 2020. Mas não foi apenas no Brasil que o e-
commerce cresceu. As vendas globais registraram até junho um crescimento
de 28% se comparado ao ano de 2019 segundo dados da ACI Worldwide.
Comparativamente nos meses de junho 2020 com relação a junho de 2019
houve um aumento nas vendas em 110,52%.
De acordo com pesquisas as vendas de itens de MODA (acessórios e
vestuário) segundo se projeta devem ter um aumento de 45% de receita se
comparada ao ano anterior, 133% no crescimento no número de pedidos e alta
de 61% de novos compradores no universo digital.
Considerada como item de segunda necessidade de acordo com os
dados disponibilizados para o varejo de moda na Black Friday deve ter 49%
menos vendas do que no ano passado. Em contraponto de acordo com a
pesquisa do Instituto IPSOS para o Mercado Livre as intenções de compras na
Black Friday para o consumidor brasileiro não se alteram se comparado na
outra edição do Black Friday. De acordo com a pesquisa 58% dos brasileiros
disseram que vão aproveitar a data de descontos.
De acordo com pesquisa a categoria campeã em intenção de compra é
tecnologia com 62% de intenção de compra. O segmento de moda se equipara
com a categoria de eletrodomésticos na casa de 58% por buscas.
A moda como a conhecemos hoje tem por prerrogativa trabalhar marcas
para a geração do consumo por meio dos canais de distribuição e publicidade
que a torne mais atrativa e agregando valor a ela. Em outros tempos, a moda
era estudada exclusivamente no impacto social que ela poderia desempenhar.
Para Lipovetsky ainda que de forma superficial a moda é um modo de
expressão e unicidade dos indivíduos e o consumo acaba por potencializar a
necessidade individual de sermos únicos.
O consumo exacerbado na moda pode ser ligado ao termo em inglês
Fashion Victims (vítimas da moda) que diante aos modismos e a oferta em
grande escala da mais “nova” tendência acaba por criar escravos do consumo
por influência ou por consumismo inconsciente. Estamos envolvidos em uma
espiral de ilusão de identidade própria, mas, que significa apenas estarmos
presos em um círculo de consumo.
Ao se defender os ideais de sustentabilidade na moda temos que ter em
mente que não é apenas pela base econômica, social e ambiental que temos
que colocar nosso olhar. É enxergar a cadeia da moda desde o estágio de pré-
produção até o descarte dos resíduos gerados pela moda. É preciso que
saibamos compreender o presente, olhar o passado e construir um futuro mais
inovativo no sistema da moda da produção ao descarte. De acordo com
Lipovetsky a consciência do consumo na verdade “trata-se de comprar de
maneira ‘inteligente, como um sujeito, não como um fantoche-consumidor.”
Para André Carvalhal o consumidor pós-moderno é mais consciente de
seu papel dentro da cadeia de consumo, pois, acabam por escolher marcas
não mais pela qualidade e preço, mas que significado e proposito a marca
carrega em si e que conversem enquanto os meus ideias pessoas, pois, os
novos consumidores enxergam as consequências do consumo. Estão mais
antenados e informados sobre os produtos, marcas e os impactos
socioambientais que estão por trás da simples venda do produto. Para
Carvalhal a jornada de autoconhecimento leva a uma consciência de indivíduo
e marca.
A própria evolução do sistema de moda nos leva a perceber diversos
movimentos que estimulam a consciência do consumo e nossa relação pessoa
x objeto, por exemplo, o Slow Fashion, armários-cápsula; Lowsumerism,
economia compartilhada, economia circular, Lojas colaborativas, No Noise
Branding, Movimento Fashion Revolution, Upcycling e outras formas de
promover o consumo consciente e a relação de consumo com a moda e vida
em sociedade.
Mediante todas as informações aqui repassadas não estamos negando
que o consumo é intrínseco a sociedade, mas, é preciso enxergar que estamos
sim consumindo de forma desenfreada. Portanto, é preciso se criar valores e
símbolos que alie necessidade real com o menor impacto possível dentro de
todo o sistema de moda. Antes de comprar se questione: Qual a real utilidade
de se comprar um produto de moda?

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