- 12 de ago. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 19 de nov. de 2020
(Artigo)

Estamos experimentando uma era de menor contato físico, porém, temos visto uma escalada digital como nunca vista antes, ainda que, a pauta da digitalização dos negócios já
tem sido discutida a um bom tempo, mas, que agora ganha um novo fôlego. Os números do comércio eletrônico não nos deixa mentir de que a compreensão do digital para os negócios
veio para ficar de fato.
De acordo com o artigo da FOLHA, Pandemia força alteração no comércio online
brasileiro (abril 2020), o e-commerce teve um crescimento de 42% entre os meses de março e
abril de 2020 do que se comparado ao ano de 2019. Aqui compreende-se justamente o
momento do início da pandemia e o fechamento do comércio. Segundo informações do artigo
ainda houve um aumento de 31% de novos consumidores online, o que demonstra a incursão
digital dos primeiros e-consumers e m-consumers. Em outras palavras, os consumidores de
produtos online pela utilização de dispositivos como desktops e smartphones. Para se ter ideia
no Brasil uma loja virtual foi aberta por minuto e de acordo com o Estadão foram
aproximadamente 100 mil novos estabelecimentos online entre os meses de março a maio
pelo que foi apurado com a Abcomm (Associação Brasileira de Comércio eletrônico).
No início, o pavor e pânico do incerto provocou de forma generalizada um break no
consumo de bens de segunda necessidade. O segmento da moda, por exemplo, foi um dos
mais impactados devido a não necessidade da MODA pelo menos por ora saciar as vaidades.
Essa dinâmica deu espaço, portanto, ao conforto por peças mais minimalistas, atemporais,
mais fluidas, tons neutros e claro confortáveis. De acordo com matéria do estadão 2 , para a
consultora de tendências, Silvia Scigliano, a moda de agora e dos próximos anos será de menos
ostentação.
Por outro lado, a moda é um dos setores mais impactados pela pandemia, mas, foi
perceptível um crescimento no consumo de forma eletrônica por artigos de moda. Segundo
pesquisa realizada pela Conversion (plataforma de Cloud Commerce) o e-commerce de moda
teve um aumento desde o início da pandemia de 95%, grande parte impulsionada pela data
sazonal do Dia das mães.
Aqui é interessante questionar o momento atual diante ao que realmente precisamos
versus a enormidade de itens ofertados, ou seja, faz sentido manter um guarda-roupas
amontado de peças pelas quais não uso?. Independentemente do tamanho, todas as marcas
de moda foram impactadas por uma pandemia sem precedentes expondo as feridas de um
sistema esquizofrênico do que entendemos por moda. A título de exemplos, podermos citar o
case da ineficácia de gestão e falta de inclusividade da Victoria Secret´s a fez cancelar o seu
famoso fashion show após uma série de polêmicas e denúncias. Se já não bastasse até mesmo
a negociação de sua venda nesse 2020 não deu certo por conta da pandemia.
Antes mesmo da pandemia, a Forever 21 no final do ano passado foi outra que
declarou concordata e levou o fechamento de diversas lojas. Outra marca que teve sua
negociação congelada por conta da pandemia foi a do grupo Tifanny Co.. No fast fashion foi
noticiado que a Zara já fechou cerca de 1.200 lojas. No mercado americano também vimos a
pandemia impactar diretamente os negócios da J. Crew, Neiman Marcus, Macy´s e outras. O
que nos leva a pensar: qual o real impacto que uma pandemia pode ocasionar no sistema
econômico?
Em contraposição a essa avalanche de fechamentos também se percebe que os novos
negócios devem ter como orientação em sua criação a cultura da velocidade, resposta,
flexibilidade e de uma mentalidade digital cada vez mais presente em levar soluções práticas e
convenientes aos clientes. Marcas não são apenas produtos. São reflexos de propósitos. E
propósitos criam identidade de marca que consequentemente cria laços. Em outras palavras,
marca é uma plataforma de mídia. A percepção de futuro no momento pelo qual passamos
vem do olhar do presente e que mudanças posso fazer agora. Os especialistas defendem esse
pensamento por cultura de start up e as marcas funcionarem como laboratórios e espaços
para a tentativa, erro e correção de rotas.
A pandemia nos obrigou a uma inversão da percepção do contato humano. Com isso
vemos cada vez a alteração das relações humanas e claro comerciais migrar do presencial para
o digital. As relações de consumo do cliente com as marcas também se alteraram e será cada
vez mais flexível. Ou seja, marcas engessadas e sustentadas por tradicionalismos não terão vez
nessa reconfiguração em reordenar e ressignificar o consumo.
Ainda sobre o isolamento e toda a problemática da pandemia temos agora como
assunto da vez a retomada gradual do comércio no mundo. Vale lembrar também as cenas de
filas gigantes ao redor do mundo nas calçadas em frente às marcas de luxo e fast fashion. Essa
dicotomia na percepção de consumo deve ser compreendida de individuo para indivíduo. Pois
é uma variável significativa do que ser humano compreende como necessidade.
Sim a abertura do comércio é uma realidade e as pessoas estão voltando aos
comércios. Na observação do varejo pelo que se vê é que essa retomada ainda é tímida.
Muitos protocolos foram criados com o intuito de preservar os consumidores e equipes de
trabalho. Esse afrouxamento e essa percepção de “cura” reascende as discussões sobre o
timing certo dessa retomada acontecer. De sinalização a aferição de temperatura cada
estabelecimento tem tentado preservar a segurança dos espaços e consequentemente a
manutenção econômica. Sim, as pessoas precisam dos empregos e a economia precisa rodar.
Porém, é o momento ideal?
Compreender os movimentos de consumo é uma oportunidade genuína de praticar a
empatia e oferecer experiências positivas não só no contexto físico quanto digital. É preciso
que as marcas enxerguem que a base de sua construção é feita por propósitos. A recém-
lançada marca VI.RUS2020 logo que nasceu já foi rebatizada por @amar.ca2020 e demonstra
essa falta de empatia. A marca é de Thaila Ayla, atriz e influencer. A “postura” de Thaila assim
como de outros influencers nesses tempos passaram a ter uma vigília cada vez mais ativa dos
seguidores. Mas, por que não entendem de fato o que significa ser um influencer?
Os influencers devem compreender que são tidos como modelos, exemplos e
referências para quem os segue. Além disso, deveriam ter uma postura de educadores no
sentido de gerar conteúdo de relevância em vez apenas de publi posts. Que diga Gabriella
Pugliegsi ao divulgar em suas redes vídeos/fotos em plena época de quarentena promovendo
uma festinha particular indo contra a onda do isolamento. Duramente criticada teve contratos
cancelados e seu perfil de uma hora para a outra desativado.
Em momentos pelos quais estamos vivendo todo cuidado é pouco. A pandemia
demonstra e reforça que sairão na frente e serão lembradas marcas e pessoas que entregam
benefícios para os consumidores. É preciso que marcas surjam sob o pilar da empatia e de uma
postura ativa sobre o que a cerca, vide a repercussão do movimento Black Lives Matter (vidas
negras importam), como resposta ao assassinato do afro-americano George Floyd.
Na moda vimos nos últimos tempos a bandeira do racismo ser levantada
recentemente com o perfil no Instagram @modaracista que escancarou esse modelo
instaurado nas veias da moda, porém, o perfil foi desativado por não estar de acordo com as
políticas e regras da plataforma.
Podemos estar vivendo em low touch, mas, estamos online
24h e a geração de informação e desinformação é de uma velocidade absurda.
Marcas devem funcionar como plataformas de experiências, conteúdos, cooperação e
influência e a lição disso tudo é na dúvida se cercar de informação, planejar e se for preciso
recalcular suas ações antes de apertar PUBLICAR e/ou COMPRAR.

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