- 4 de set. de 2020
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Atualizado: 19 de nov. de 2020
Começo essa jornada parafraseando Coco Chanel, a moda não existe apenas nos
vestidos: está no ar, no céu, no vento, na literatura, nos acontecimentos do nosso dia
a dia, nas nossas ideias e no nosso comportamento. O nosso visual transmite
características de personalidade e sociabilidade, a moda influência como somos vistos
e tratados. Existem inúmeras questões associadas à moda que mexem com o nosso
cotidiano como indivíduos e como sociedade; moda importa além do que as roupas
dizem sobre nós.
Trazendo conceitos, significados e a origem do vocábulo, a palavra moda provém
do termo latino modus, através do francês mode, fazendo referência ‘ao modo’, ‘à
maneira’ designando assim as preferências, conjunto de opiniões, gostos, assim como
modos de agir, viver e sentir coletivos. Portanto, moda trata-se de uma expressão da
cultura da sociedade, ao se comprar um produto de moda, o indivíduo está se
identificando socialmente, e consequentemente se diferenciando dos outros. A moda
não é só um elemento de distinção dos indivíduos dentro da sociedade como no
passado, é algo ideológico que delimita o tempo e o lugar, transmitindo significados e
valores culturais, é um instrumento subjetivo e é considerada uma prática da
coletividade desde o seu surgimento, pois sempre ocupou um espaço significativo na
cultura.
A moda propriamente dita, como conhecemos hoje, surge no século XIX. Porém
dados históricos comprovam a existência de agulhas que possivelmente teriam sido
utilizadas para costurar pedaços de couro a cerca de 40.000 a.C. Segundo
antropólogos, peles de animais e folhas foram os primeiros materiais utilizados para
proteger o corpo do frio quando a migração humana começou. As mulheres eram
responsáveis por limpar e tratar a pele para deixá-la macia. Estima-se, no entanto, que
o primeiro tecido seja ainda mais antigo e que tenha sido usado pela primeira vez há
mais de 650 mil anos. Com o surgimento da tecelagem e o descobrimento de outros
materiais para a confecção de roupas, as peles dos animais foram substituídas como
matéria prima.
O século XIV também reúne dados importantes na história da moda. Com o fim da
Idade Média e o início da Idade Moderna, a divisão rígida da sociedade entre clero,
nobres e plebeus começou a diluir, o comércio se desenvolveu e a busrguesia e o
individualismo ascenderam. Sim individualismo. Sem ele, a Idade Moderna não seria a
mesma, e a moda também não, pois a noção de liberdade foi essencial para o
desenvolvimento dessa sociedade e, com ela, a confiança no seu próprio poder de
decisão. E é nesse contexto que a moda floresce, onde as escolhas estéticas
passaram a retratar a vida, refletindo e influenciando comportamentos e a maneira de
lidar com o novo modo de ser e de pensar, se sustentando como um fenômeno que
estrutura a vida social de maneira indissociável dos processos comunicacionais.
Geertz (1989) em A interpretação das culturas, defende a ideia de cultura como
conjunto de mecanismos simbólicos que auxiliam na ordenação do comportamento
humano a cultura, então, dita a moda, as peculiaridades de cada país, suas
vestimentas, religião, comidas, músicas e costumes, apresentando assim uma relação
particular com a sociedade, possuindo um código próprio, representando uma
linguagem cultural. As roupas, em seu papel de comunicação simbólica, tiveram
fundamental importância na história da sociedade, como meio de transmitir
informações tanto sobre o papel e a posição social daqueles que vestiam quanto sobre
sua natureza pessoal. A moda está relacionada a esse conjunto de fatores, a um
sistema de funcionamento social, a cultura assim como a moda não é inerte e está em
constante movimento, o caráter transitório da moda dita um conjunto de ideias,
comportamento e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida
em sociedade.

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