- 12 de ago. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de nov. de 2020
(Matéria)

Durante esse isolamento social em meio à pandemia, tenho visto cada vez mais debates interessantíssimos sobre a indústria da moda. Reflexões acerca de uma indústria que já passou
da hora de repensar seu impacto, questionamentos sobre demandas mais conscientes de consumo e isso tudo, aquece o coração de quem assim como eu, acredita numa moda futura
mais consciente, empática e limpa.
Mas, olhando para trás e fazendo um paralelo com as grandes guerras mundiais, a história nos
mostra que esse pé no freio não rolou. A sociedade passou por mudanças de paradigmas, de
estilo, mas o consumo não desacelerou, muito pelo contrário. Numa sociedade capitalista, pós
grandes crises, a via de regra é que o incentivo ao consumo aumente. Afinal, é ele quem faz a
roda do sistema girar. Será que dessa vez a sociedade pegará um caminho alternativo? Será
que de fato, o COVID-19 resultará num consumo mais slow? Será que os grandes players do
mercado traçarão rotas alternativas para uma indústria mais sustentável?
No primeiro dia de liberação do isolamento social na China, a loja da Hermès faturou um
equivalente a R$19 milhões na sua reabertura em Guangzhou. Recentemente, a França que
estava há quase dois meses em lockdown, começou a retomar gradualmente as atividades e
vimos notícias de filas enormes na frente das lojas da Zara. Será que em terras tupiniquins,
devido a grande disparidade de riquezas, o panorama será diferente?
Acho pouco provável. A fast fashion Riachuelo dobrou seu faturamento online durante o
isolamento, registrando um aumento de 124% nas vendas no período de 4 a 12 de abril, e
crescimento de 56% no tráfego do site. A marca de loungeweare HOPE, cresceu 400% por
centro, também durante o isolamento**(confirmando o crescente desejo do momento pelas
roupas que abraçam e pelo conforto). Esses dados nos mostram que é possível gerar desejo,
lucrar e fazer a roda girar no meio de uma pandemia.
A recessão econômica é inevitável, ainda mais no meio de uma crise de saúde pública em
escala mundial. Mesmo com algumas marcas colhendo frutos, a indústria têxtil e o varejo de
moda já estão sentindo os impactos da desaceleração forçada. Porém, isso será capaz de fazer
a indústria repensar seu modus operandi? Será que o mundo pós-pandemia, reformulará a
relação de consumo em níveis mais profundos? Não podemos traçar um caminho, só
suposições. Do lado de cá, acredito que só uma pequena parte recalculará a rota rumo a
praticas mais sustentáveis e que talvez, num futuro próximo, presenciaremos um comeback
dos anos loucos.

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